A desindustrialização da economia paulista
A economia paulista é a maior dentro do País. Dessa forma, a sua taxa de crescimento afeta o conjunto e o conjunto afeta o regional, não podendo haver grandes discrepâncias.
Uma eventual discrepância dependerá de uma forte diferenciação na relação com o mercado externo.
Nesse sentido, a tendência de São Paulo é de importações crescentes a taxas superiores ao dos demais Estados, com impacto maior sobre a própria indústria paulista.
As importações de produtos em função do preço, seja pela valorização cambial como pelos custos menores na origem (no caso dos produtos chineses) reduz a produção industrial e aumenta a atividade terciária. Contribui ainda para o controle da inflação.
Visto pelo lado do consumidor final, o preço que ele paga tem quatro componentes básicos:
- os tributos, que em alguns casos é a parte maior;
- os juros, mesmo quando comprado a prazo (pois há uma parte embutida nos preços, dentro da cadeia produtiva);
- os custos dos serviços agregados ao produto industrial (comercialização, marketing, logística, etc) e
- os custos do produto industrial.
Mesmo quando o produto industrial importado já é um bem final, a agregação dos serviços permanece. O portão da fábrica é substituido pela saida do Porto.
Com o custo do produto menor, refletindo-se no preço final menor pode haver um aumento de demanda, e aumenta o o valor dos serviços.
Se o produto industrial é intermediário, a substituição é parcial, mas há uma redução da parte industrial.
O resultado macroeconômico é uma redução da participação da indústria no conjunto do PIB e um aumento do terciário.
Considerando, por outro lado, o aumento da produção agricola, em função do "boom" do etanol, haverá uma expansão do setor primário, aumentando a sua "fatia no bolo" em detrimento da participação da indústria.
A desindustrialização da economia paulista decorre da perda de competitividade de seus produtos, em relação aos produzidos fora do Estado (em outros Estados ou paises) e do crescimento maior dos demais setores.
Escrito por Jorge Hori às 07h15
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